PRÍNCIPE DOS LOBOS: Uma aventura dantesca.





O que dizer sobre esse livro? Meu Deus! Assim que acabei de ler, tomei um banho, um café bem forte e reiniciei a leitura, enchi o livro de post-it e o devorei em dois dias pela segunda vez. Que sufoco passei para ler esse livro [risos], gente, é serio. Ele chegou na segunda-feira (25/05), eu estava saindo de casa quando o pacote chegou e, sabe quando você fica tão feliz que falta só abraçar o carteiro? Então. Não faltou nem isso quando o livro chegou! Fiquei muito contente porque desde o dia em que a Pollyanna, esposa do autor, me disse que já tinha postado o pacote com o livro, eu fiquei louca para que ele chegasse logo. Até fiquei com um pouco de medo, porque eu alimentei muito minhas esperanças de que esse livro seria ótimo, principalmente depois da sinopse, e quando ele chegou depois da explosão de felicidade me veio o medo, "E se o livro me decepcionar???? Se eu não gostar??? Com que cara eu vou ficar na resenha????". Mas não. O livro superou todas as minhas expectativas. Não consegui ler quase nada na semana em que ele chegou, mas assim que o despontar do dia 30/05 chegou, eu mergulhei de cara nas páginas.

O livro, que conta a história de Robinson, é divido em quatro longos capítulos, O Pesadelo Angustiante, A Floresta Escura, O Paraíso e o Círculo dos Santos, e O Poço Horrível, títulos que faz muito jus às respectivas fases da vida do protagonista, em minha opinião. (referência de A Divina Comédia, de Dante Alighieri).

No início da leitura conhecemos o pesadelo angustiante que é a vida do protagonista. O garoto ainda muito novo perdeu o pai e os irmãos, e sobrevivia em uma casa alugada com sua mãe, que não tinha condições de pagar o aluguel e muito menos comprar comida para suas refeições. Um dia, o garoto magro se depara com o dono da casa em que moram, despejando sua mãe devido a falta de pagamento. Sem uma casa para morar, sem condições financeiras para se virar, Edileusa, mãe de Robinson, vai para a casa de sua irmã mais velha, Jandira, morar com ela e seu cunhado, Aurélio. O casal problemático, como vemos logo de início, e seus dois filhos, uma menina chamada Petúnia, e um menino chamado Marco, fazem da vida de Robinson e Edileusa um pesadelo.

Aurélio é um homem machista, que agride e estupra a esposa — que por sua vez não reclama de sua situação e se mostra uma mulher vulgar e depravada —, espanca seu filho Marco — que se mostra um jovem agressivo, com problemas psicológicos — e abusa sexualmente de Petúnia — se aproveita de tal situação para se defender em sua casa.

Edileusa fica por um tempo na casa dessa irmã mais velha, trabalhando como empregada doméstica, mas isso acaba quando em um dia, o cunhado bêbado a espanca e estupra. Quando ela tenta defender sua irmã, que apanhava de cinto, depois de Petúnia ter dito ao pai que a mãe havia a ameaçado.  Como se não bastasse Edileusa ainda é ofendida por sua irmã, que a acusa de ter roubado seu marido e por ser uma viúva sem vergonha.

A partir de então, Robinson vai com a mãe para a casa de outra tia, a Glorinha. E durante o tempo que passa com Glorinha e seu marido Geraldo, o garoto se sente desprezado por sua mãe que faz constantes elogios aos sobrinhos enquanto se diz envergonhada de Robinson, um garoto sem estudos, que frequentou apenas a creche quando sua mãe não tinha onde deixá-lo.

A partir de então, seguindo o conselho de Geraldo, Edileusa coloca Robinson na escola, onde o garoto sofre por estar atrasado em relação às demais crianças de sua idade e por ter uma grande dificuldade em todas as matérias, com exceção de Educação Física, onde ele descobre ter grande talento para dançar hip-hop, nesse ponto de sua vida, ele conhece o personagem chave para a grande reviravolta que ocorre em sua vida. Vendo sua existência como um fiasco, sentindo-se imponente e um peso para sua mãe, em um dia, ao invés de ir para a escola, Robinson sai sem rumo e a partir desse dia se torna um mendigo, introduzido ao mundo das drogas por seu primo Marco, que conhecemos no início da história.

Como na vida real, onde acontece diariamente, Rafael, um traficante que ajuda Marco e Robinson a conseguir suas preciosas pedras, é assassinado. A partir do momento em que os dois garotos se veem sozinhos e precisam se virar para conseguir suas pedras a situação fica feia e ambos se deparam com a dificuldade que é se virar na vida do crime e das drogas. Nessa parte conturbada e difícil da vida do protagonista, é que aparece o garoto que conheceu no hip-hop, Draco, um traficante de coca-base e agenciador de prostitutas.

No dia em que encontra Robinson, Draco está acompanhado de Beatriz, sua prostituta número um, para a sorte de Robinson, pois uma vez que Beatriz intercede por ele, Draco o ajuda e ele tem a chance de encontrar outra vez sua mãe, dar a ela uma casa, e dinheiro, e ter sua chance no mundo. Trabalhando com Draco, agora ele passa a ser chamado de Robin e tem orgulho do que faz, mas não tem coragem de dizer a mãe que sua existência ao longo dos anos que passou fora de casa foi baseada nas drogas e que o dinheiro que ele dava a ela vinha da venda desses entorpecentes.

Posso dizer que na resenha dei uma resumida enorme na história e esse ponto no qual eu paro, Robinson está vivendo n'O paraíso e o Círculo dos Santos, então não direi mais nada a respeito para não estragar a leitura de vocês. Eu recomendo muito esse livro, principalmente para as pessoas que gostam de olhar além do que lhes é mostrado, ponto que eu achei bem explorado no livro. Percebemos ao longo da leitura uma confusão na cabeça do protagonista e vemos a origem do título Príncipe dos Lobos na terceira etapa de sua vida, ou terceiro capítulo da narrativa.

O livro não se resume a isso, há uma crítica bem grande embutida na história, que é feita de forma bem sutil, em alguns trechos, enquanto em outros é feita de forma bem sarcástica e aberta. Creio que não há nenhum ponto negativo em relação ao livro para ser enfatizado. O que mais gostei no livro foi justamente às críticas feitas e como o autor desenvolveu a história do protagonista de maneira tão criativa e ao mesmo tempo tão fiel à realidade que vemos no nosso país.

Ao autor, Rogério Prego, meus mais sinceros parabéns pela obra, eu gostei muito.

Quem é o autor:

Rogério Prego nasceu em 1981 em Goiânia, Goiás. Formado em História pela UFG. É o autor de meu Sagrado Reino da Escuridão, publicação em que apresenta seus primeiros escritos. Príncipe dos Lobos é o seu primeiro romance publicado ao lado do segundo: Loteria da Babilônia.

O que ele diz sobre sua obra:

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Este romance foi baseado em tragédias reais, recortadas das estampas de jornais, somadas à situações inspiradas em fábulas populares da África e Ásia — o que lhe conferiu os contornos de uma fábula realista, narrada através do olhar quimérico de um adolescente que vive nas ruas (vulgarmente conhecido como mendigo “crackudo”). 

“Partindo da afirmativa, sugerida pelo médico canadense Gabor Maté, de que as pessoas que se afundam nas drogas são as mais frágeis (e ao tocar a agonia dos que sobrevivem nas ruas), arranquei deste olhar “crackudo” tudo o que a sociedade sempre varreu para debaixo do tapete. Foi ao sintetizar estes fatos obscuros, num processo de “redução dos chistes” sociais, que injetei a Divina Comédia na realidade social.

“Segundo o médico supracitado, “as drogas não causam dependência [porque] a dependência não reside na droga, ela reside na pessoa” — a droga é entendida como algo que traz satisfação. Portanto, essas pessoas querem preencher o vazio da própria alma! O meu raciocínio nestas páginas, é que essas pessoas acabam por preencher, mesmo, é o vazio das ruas! Porque, os que deveriam garantir o direito ao Lazer, ao Esporte e à Cultura, conferindo dignidade aos seus concidadãos, pensam apenas no próprio bolso e futuro venturoso".



Título: PRÍNCIPE DOS LOBOS

Autor: ROGÉRIO PREGO.

Páginas: 197

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Clube de Autores.

Sinopse: Príncipe dos Lobos é uma boa dose de realidade que deve ser degustada com cautela, pois um marinheiro de primeira viagem pode se engasgar ao tentar tomar de uma só vez. É envolvente, é provocante! A reflexão incitada ao mais alto nível e os "fantasmas sociais" aparecem. Tudo aquilo que a sociedade considerou sujo, feio, impróprio, imoral, inferior, detestável, ou seja, fora de seus padrões e interesses ou até mesmo "ameaçador à sua ordem", tudo aquilo que foi obscurecido [re] surge. É um romance forte e frisante! Indicado para aqueles com espírito livre e com sede para descobrir o que está por trás das relações, das pessoas e dos lugares. É assim que a banda toca! A droga, a prostituta da esquina são semblantes de um mundo perverso. O escritor Rogério Prego é influenciado por autores como: Máximo Gorki, Miguel Jorge, John Steinbeck e Amando Fontes. Possui uma análise muito densa e crítica o que instiga ainda mais o leitor. Vale a pena ler e tirar suas próprias conclusões! - Henrique Martins da Silva [FH/UFG]



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